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Acidente, processos e assédio: o inferno astral do Uber piora

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Uber enfrenta na justiça dos Estados Unidos um processo sobre carros autônomos movido pelo Google

O inferno astral da empresa de transportes Uber foi parar no banco dos réus. Na segunda-feira 27, o Uber apresentou sua resposta a um processo aberto na Califórnia pela Wayo, a empresa de carros autônomos da Alphabet, dona também do Google. Nesta terça 28, o Uber entrou com um recurso para tentar forçar uma arbitragem o mais rápido possível. Mas a questão continua em aberto. A Waymo alega que um grupo de ex-executivos roubou propriedade intelectual relacionada a seus projetos e depois abriu uma startup, a Otto, comprada pelo Uber no ano passado por 680 milhões de dólares. A companhia pede até que o Uber não tenha acesso à tecnologia enquanto o processo está em andamento.

A questão foi aberta há um mês. A Waymo afirma que um ex-funcionário do Google, Anthony Levandowski, baixou 14.000 arquivos técnicos de seus servidores (cerca de 9,7 gigabytes) antes de se mandar para abrir a Otto, vendida seis meses depois. Hoje, Levandowski lidera a área de robótica do Uber.

Acidente com carro do Uber no Arizona: a sucessão de problemas da companhia cresce a cada dia (Mark Beach/Reuters)

Criar sua própria tecnologia para ensinar os carros a se guiar pelos ambientes urbanos de fato exige um investimento pesado. São milhares de sensores a laser sendo disparados a cada segundo para criar um mapa 3D da área, calcular o trajeto e detectar ciclistas, pedestres e qualquer obstáculo que pintar pelo caminho. Com a contratação de Levandowski, alega a Waymo, o Uber “evitou risco e cortou tempo e dinheiro no desenvolvimento de sua tecnologia”. O Uber diz que as acusações não têm sentido e tentam “reduzir a velocidade de um concorrente”. A decisão deve sair no dia 27 de abril.

Uma derrota será avassaladora para o Uber. De qualquer forma, até lá, o caso será mais uma nuvem negra no caminho da empresa que até muito pouco tempo era a mais incensada do Vale do Silício. Travis Kalanick, fundador do Uber, já afirmou reiteradas vezes que veículos autônomos são essenciais para o futuro da companhia. Substituir motoristas por softwares poderia permitir ao Uber cortar custos, oferecer viagens mais seguras e também driblar processos e problemas legais que vêm se avolumando mundo afora.

No Brasil, a empresa sofreu seu primeiro revés na Justiça em fevereiro deste ano, quando um juiz da 33ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte reconheceu vínculo empregatício entre a Uber no Brasil e um motorista, condenando a empresa a pagar cerca de 30.000 reais em horas extras, adicional noturno, restituição dos valores gastos com combustíveis e verbas rescisórias. A empresa vai recorrer da decisão, argumentando que a 37ª Vara da mesma cidade deu uma sentença exatamente oposta, negando vínculo empregatício solicitado por outro motorista.

O Uber sempre alegou que não emprega seus motoristas e que atua apenas como uma empresa de tecnologia que faz a intermediação e a conexão com os passageiros. A atuação da empresa sempre foi motivo de intensos debates no Brasil, e a pauta deve esquentar com a nova lei de terceirização aprovada na semana passada na Câmara e agora à espera do aval presidencial.

A insegurança jurídica vem trazendo problemas em outros países. Em outubro do ano passado, a empresa perdeu um processo em um tribunal de Londres, que determinou que dois motoristas da empresa tinham direito a um salário mínimo e férias.

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A maré ruim começou logo no início do ano, quando o Uber conseguiu perder 500.000 usuários em apenas um fim de semana. O boicote que tomou as redes sociais com a hashtag “deleteuber” nasceu de uma reação ao veto do presidente americano Donald Trump contra imigrantes de países de maioria muçulmana. Na ocasião, os taxistas de Nova York organizaram um protesto em solidariedade aos imigrantes e suspenderam seus serviços no aeroporto JFK. Isso provocou um aumento no preço do serviço do Uber, que calcula a tarifa das corridas com base na demanda. A impressão geral foi que a empresa estava se aproveitando da situação.

Foi só o começo de uma série de problemas que prejudicaram a imagem da companhia. Em fevereiro, uma ex-engenheira do Uber, Susan Fowler, afirmou ter sofrido assédio sexual e sexismo durante seu tempo na empresa. Segundo Fowler, o RH ignorou suas denúncias contra o agressor, por ele ser um funcionário de “alto desempenho”.

Em resposta, Kalanick contratou um antigo procurador-geral dos EUA para liderar a investigação urgente. Dias depois, o jornal americano New York Times publicou uma reportagem que sugere que o caso de Fowler não foi isolado, e sim que faz parte da cultura da empresa. Sob a condição de anonimato, funcionários disseram ter presenciado um diretor gritar insultos homofóbicos a um subordinado, outro ameaçar bater na cabeça de um funcionário com um taco de beisebol e cenas de assédio sexual em retiro da empresa em Las Vegas.

Como se não bastasse, no final de fevereiro, o Uber perdeu mais um executivo. Amit Singhal, vice-presidente sênior de engenharia, deixou a empresa depois de ter sido revelado que ele havia saído de seu trabalho anterior no Google por acusações de assédio sexual.

Ainda em fevereiro, um vídeo publicado pela Bloomberg mostrou Kalanick dentro de um carro do Uber tendo uma discussão acalorada com o motorista sobre as tarifas do aplicativo. Em um e-mail para os funcionários, Kalanick pediu “profundas desculpas” e admitiu precisar “mudar como um líder e crescer”.

Os próprios carros autônomos também viraram fonte de problemas, e não só no processo aberto pelo Google. Na sexta-feira um carro autônomo do Uber se envolveu num acidente com outro veículo em Tempe, no Arizona. Ninguém ficou ferido, mas a companhia tirou seus carros autônomos das ruas do Arizona, e de outros dois estados onde estava fazendo testes.

Antes disso, a imagem da companhia ficou ainda pior, quando o New York Times revelou que o Uber não havia sido honesto sobre um incidente com um de seus carros autônomos que furou um farol vermelho quando um pedestre entrava na faixa para cruzar a rua, em dezembro do ano passado, em San Francisco. Na ocasião, a empresa afirmou ter se tratado de um “erro humano”, mas, segundo o jornal americano, a causa real foi uma falha no sistema responsável pela navegação autônoma do carro. O único “erro humano” teria sido do funcionário que falhou em reconhecer o erro do veículo e corrigi-lo a tempo.

São tantos reveses juntos que executivos do Vale do Silício têm dito que nunca viram uma maré ruim como esta. Em oito anos, Kalanick conseguiu captar 12,5 bilhões de dólares e transformar o Uber na maior empresa privada de tecnologia do planeta, com 70 bilhões de dólares de valor de mercado. O faturamento chegou a 5,5 bilhões de dólares, mas o lucro ainda não veio. Agora, Kalanich terá que mostrar que sua empresa pode dar a volta por cima – e finalmente chegar ao azul. Nem que, para isso, ele tenha que sair do caminho.

 

Fonte: EXAME

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Sobre Carlos Laia

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