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Apps de táxis partem para a concorrência com Uber e Cabify

Foto: Arte ZH

Alguns dos principais aplicativos de transporte individual privado no país deixaram de usar o sufixo “taxi” no nome. 99taxis e EasyTaxi, por exemplo, passaram a se chamar 99 e Easy. As mudanças contemplam uma nova abordagem das empresas que, da parceria exclusiva com taxistas passaram a oferecer também corridas em carros particulares. É a “uberização” dos aplicativos de táxi.

As empresas atribuem a mudança a uma atualização natural frente à concorrência: se há outras companhias prestando serviço semelhante e que elas têm condições de oferecer, por que não investir aí?

— Quisemos aumentar nossa diversidade. Começamos com o táxi, depois incluímos o serviço corporativo e, agora, também o veículo privado. É questão de competitividade — avalia o CEO global da Easy, o venezuelano Jorge Pilo.

 

O timing das mudanças não foi acaso. A regulamentação dos aplicativos de motoristas particulares começou a valer em São Paulo no início de maio de 2016, e discussões sobre o mesmo assunto movimentavam câmaras de vereadores em diversos outros municípios na mesma época. Logo depois, em julho, Easy e 99 anunciaram seus novos nomes após iniciar o cadastro de condutores com carros próprios e adaptar os sistemas para os novos serviços.

O EasyGo chegou a Porto Alegre em 26 de janeiro e está disponível para clientes particulares e corporativos. Na nota de lançamento, em uma clara referência ao Uber, a empresa explica que os passageiros “não precisam mais se preocupar com horários de pico, pois não haverá tarifa dinâmica”.

Já o serviço 99POP, por enquanto disponível apenas na cidade de São Paulo mas com planos de expansão para outros locais, inclusive a capital gaúcha, ainda no primeiro semestre deste ano, começou a operar no final de agosto. Consolidada no serviço de táxis no Brasil — mercado que, afirma, lidera com folga —, a 99 agora aposta no serviço “tipo Uber” para continuar angariando clientes.

— Tem espaço para todo mundo: para quem quer ir de táxi e para quem prefere pagar menos em um carro particular. Nossa ideia, com o lançamento desse serviço, é inclusive aumentar o número de viagens nos dois tipos de veículos — garante Ricardo Kauffman, gerente de Relações Públicas da 99.

Por conta das muitas discussões e protestos em torno da regulamentação, a “uberização” desses aplicativos demorou mais a chegar aqui do que em outros países.

— Trabalhamos em 13 países da América Latina, e essa ideia está muito presente. No Peru, por exemplo, nosso serviço nunca foi só com táxi. No México, mais de 50% das corridas são com automóveis privados. Como empresa multinacional, sempre pensamos em expandir nossa área de atuação. No Brasil, isso demorou mais porque nosso cronograma esteve muito ligado à evolução da regulamentação desse serviço — explica o CEO global da Easy.

Quem está gostando da competitividade é o público: podendo escolher entre táxi, carro popular e veículo executivo, com acesso a diversos códigos e cupons para desconto, não há do que reclamar. Antes afeita às viagens de ônibus, a estudante Marília Braga, 19 anos, tem preferido se deslocar com os automóveis que chama pelos aplicativos.

— É muito prático e raramente dá problema. Nas viagens curtas, acaba compensando muito mais, até pela comodidade, do que usar o transporte público — afirma ela.

Com 50% de desconto, Sintáxi não consegue suprir demanda

Para fazer frente à concorrência de empresas como Uber e Cabify, o Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi) passou a oferecer, em meados de janeiro, corridas com 50% de desconto — promoção que segue até o dia 28. A demanda tem sido tanta que os motoristas cadastrados não têm conseguido dar conta do número de viagens solicitadas, segundo o presidente do sindicato, Luiz Nozari.

— Está faltando carro, o pessoal começou a ver que é uma baita vantagem andar com esse desconto. Claro que o taxista acaba ganhando menos, mesmo com o sindicato compensando parte do valor, mas precisamos nos adaptar à nova tecnologia sob pena de fracassar e desaparecer.

Quanto à expansão do mercado dos aplicativos de transporte, que deixaram de lado a exclusividade de parcerias com os taxistas, Nozari afirma que esse já era um movimento esperado.

— Agora caiu a máscara deles. Estavam usando o taxista, que acabou fazendo papel de otário, para angariar clientes. Agora que o pessoal está se dando conta da enganação, pelo menos tem uma opção de aplicativo dentro da categoria, que é o nosso — diz o presidente do Sintáxi.

Em meio à concorrência que agrada os passageiros, os motoristas têm apontado perdas.

— Ninguém mais pede corrida “cheia”. E pegar cliente na rua não existe mais. Eu tenho evitado aceitar corridas com desconto, mas às vezes não dá. Não tem jeito, a gente acaba ganhando menos — lastima um taxista, que prefere não ser identificado.

Com o celular quase sempre rodando os apps de Cabify, Uber e agora também Easy, um motorista afirma que a concorrência tem sido ruim para seu trabalho. Os bons ganhos de outrora deram lugar a raros dias em que o lucro compensa as horas trabalhadas, segundo ele.

— Toda corrida tem 20%, 30%, 40% de desconto. No final do dia, a gente acaba trabalhando muito para ganhar pouco. A concorrência tem essa desvantagem — diz o condutor, que também prefere se manter anônimo.

Uber e Cabify fariam o caminho inverso?

Vendo outras empresas tomarem um rumo em direção àquele que era seu nicho, Uber e Cabify se dizem preparados.

“O aumento no número de plataformas de transporte individual é inevitável e representa o futuro. A economia compartilhada chegou para ficar e só tem a trazer benefícios para os usuários, com mais opções de transporte”, afirmou, em nota, a Cabify, que garantiu “se orgulhar em fazer parte desse movimento”.

Em manifestação semelhante, a Uber diz que funciona como “mais um modo de se locomover pelas cidades”, e que não se destaca mais somente por oferecer o serviço de transporte, mas pelo modo como o faz.

“A Uber, como empresa de tecnologia, vê a competição nesse setor como algo positivo, pois permite ao usuário e ao motorista parceiro terem mais escolhas sobre como se locomover pelas cidades e gerar renda”, descreve a nota.

O diferencial, segundo essas empresas, agora está na qualidade do serviço. Umas dizem ter processos de seleção de motoristas mais rígidos; outras, de exigir carros melhores. Algumas ressaltam primar pela transparência, enquanto outras garantem remunerar melhor os “parceiros” ou oferecer mais segurança no pagamento.

— Clicar em um botão e fazer vir um carro todo mundo consegue. A diferença está nos detalhes — afirma Jorge Pilo, CEO global da Easy.

Questionadas se não pensavam em fazer também o caminho contrário, entrando no mercado de táxis antes explorado unicamente por concorrentes como 99 e Easy, a Uber não respondeu, e a Cabify garantiu que “está sempre estudando novas maneiras de atender melhor aos usuários” — mencionando que tem, em São Paulo, o serviço Cabify Cab, categoria que utiliza o serviço de táxis pretos cadastrados pela prefeitura.

Como usar o EasyGo

Serviço de carros particulares da Easy, o EasyGo chegou a Porto Alegre no final de janeiro. Veja como utilizá-lo:

1) Abra o aplicativo

2) Coloque sua localização e o destino desejado

3) Embaixo, nas opções de corrida, deslize até EasyGo. O símbolo é um carro colorido, diferente do amarelo dos táxis

4) Escolha a forma de pagamento e o tipo de carro desejado

5) Confirme

A 99 (antiga 99taxis) também planeja lançar seu serviço de transporte com carros particulares em Porto Alegre. A novidade deve chegar ainda no primeiro semestre deste ano

Fonte: ZERO HORA

Sobre Carlos Laia

Comandada por Carlos Laia , A Voz Do Taxista tem por objetivo levar a categoria dos taxistas informação, levantar o debate dos assuntos importantes para o desenvolvimento profissional de toda categoria.

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