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‘Eu era o cara da Uber em Belo Horizonte’, diz motorista que venceu ação trabalhista contra a empresa

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Rodrigo Leonardo Ferreira vai recorrer da decisão para tentar conseguir indenização por danos morais. A Justiça em Minas reconheceu o vínculo empregatícia entre o motorista e a Uber.

Rodrigo Leonardo Ferreira vai recorrer de ação trabalhista para tentar conseguir indenização por danos morais contra a Uber (Foto: Rodrigo Leonardo Silva Ferreira/Arquivo pessoal)

Rodrigo Leonardo Silva Ferreira, de 39 anos, motorista que venceu ação em 1ª instância contra a Uber na 33ª Vara do Trabalho, em Belo Horizonte (MG), nesta semana ainda pretende recorrer. “Eu ainda quero indenização por danos morais”, disse ele.

O juiz Márcio Toledo Gonçalves reconheceu o vínculo empregatício entre Rodrigo e a Uber. A empresa alternativa de transportes terá de pagar benefícios trabalhistas referentes ao período em que o trabalhador esteve ligado a ela, além de outros encargos como verbas rescisórias e o gasto com combustível, balas e água.

Em 16 anos de profissão, o mineiro dedicou onze meses à Uber em 2015. “Eu era o cara da Uber em Belo Horizonte”, disse Rodrigo. “Era um dos maiores entusiastas do aplicativo. Cheguei a representar os motoristas em uma audiência na Câmara Municipal para denunciar violência de taxistas. Isso porque fui convidado pela Uber a participar”, contou.

O desligamento aconteceu em novembro daquele ano. “Não me deram nenhuma explicação. Eu ainda busquei a Uber por quatro meses. Queria voltar a trabalhar com ela. Me senti humilhado. Tive vergonha. A empresa me descartou igual a um papel usado”, contou. Casado e com dois filhos pequenos, Rodrigo disse que passou o fim de ano com apenas R$ 358. “Não sabia como iria sustentar minha família”.

Um mês antes de ter sido excluído, Rodrigo ajudou a fundar a Associação dos Prestadores de Serviço que Utilizam Plataforma Web e Aplicativos de Economia Compartilhada (Appec). O objetivo era reivindicar benefícios para os trabalhadores, principalmente para os motoristas que usam aplicativos. “Eu representava os meus colegas na hora de apelar para a Uber por um plano de saúde, um desconto em combustível. Ela não se manifesta. A Uber nunca se manifesta. ‘Que a outra parte se comprometa’, é assim que ela pensa”.

Rodrigo acredita que a criação da Appec tenha influenciado na decisão da empresa em desligá-lo. “Eu tenho certeza disso. Eles não me deram nenhuma explicação”. O motorista entrou com um ação cível por danos morais por causa da exclusão. “Mas por causa da morosidade, meu advogado achou que devíamos entrar com uma ação trabalhista, mais rápida”. Segundo Rodrigo, na primeira audiência a Uber disse que um áudio, supostamente gravado por Rodrigo, teria sido a causa do desligamento.

“Nele aparece uma pessoa incitando os motoristas a desligarem o aplicativo em grandes eventos para aumentar o valor dinâmico e lucrar mais. Mas a voz que aparece no áudio não é minha”, disse.

Rodrigo trabalhou em uma cooperativa de carros executivos por alguns meses após o ocorrido. Em outubro do ano passado decidiu trabalhar com a Cabify, concorrente da Uber, que também não estabelece vínculo empregatício com seus motoristas. “O que eu queria da Uber era uma explicação. A minha intenção, a princípio, era voltar a trabalhar com eles. Por isso que insisto nos danos morais. Antes era uma relação de respeito, depois se tornou uma relação insalubre”, disse.

O escritório de advocacia de Belo Horizonte que venceu a ação em 1ª instância já recebeu cerca de 120 pedidos para ações semelhantes envolvendo motoristas que trabalham ou que já trabalharam na Uber. “A decisão de Belo Horizonte é a primeira do tipo no país. Abre um precedente importante”, disse o advogado Alexandre César Aburachid, responsável pelo caso.

Durante o período em que trabalhou para a Uber, Rodrigo ganhava entre R$ 4 mil e R$ 7 mil por mês. A reclamação dele é que, por não reconhecê-lo como empregado, a companhia não pagava benefícios descritos na CLT.

Em nota enviada ao G1, a Uber informa que vai recorrer da decisão “já que 37ª Vara do Trabalho da mesma cidade, no dia 31 de janeiro de 2017, determinou exatamente o oposto”. “Já existe precedente judicial que confirma o fato de que não há relação de subordinação da Uber sobre seus parceiros”, informa a empresa.

A empresa foi procurada pelo G1 para comentar as declarações de Rodrigo, mas ainda não se manifestou.

Confusão

O advogado André Mansur, responsável pelo escritório de advocacia, publicou um pedido de desculpas em sua página oficial na internet após ter discutido no Facebook com uma usuária de redes sociais.

“Foi uma ‘avalanche’ de pessoas. Algumas elogiando, muitas atacando. Ela me ofendeu e eu devolvi. Não deveria ter feito daquele jeito. Eu fiquei acordado até às 3h redigindo essa carta, pedindo desculpas aos meus seguidores”, disse o advogado.

Fonte G1

 

 

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