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Querem liberar o UBER no ABC Paulista

Iniciada no ano passado, logo após a Capital liberar o serviço em seu território, a discussão para a possível regulamentação do aplicativo Uber em municípios do Grande ABC segue parada em prefeituras da região sem qualquer perspectiva para sair do papel. A indecisão sobre o tema, a qual se arrasta há meses, tem gerado insatisfação e clima de discórdia entre motoristas do aplicativo e por parte de taxistas.

Após o debate sobre o assunto ser deixado de lado no ano passado, em virtude do processo eleitoral, prefeitos recém-empossados na região buscam postergar qualquer avaliação definitiva. Embora destaquem, de modo geral, a legitimidade da livre concorrência entre ambos os serviços, as atuais administrações adotam cautela ao tratar o tema.

Procuradas pelo Diário, as prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires afirmaram em nota estudar critérios para possível regulamentação do serviço, tendo em vista que todos os munícipes possam ser atendidos segundo sua preferência e necessidade. No entanto, todas optaram por não detalhar prazos para que o estudo seja apresentado.

Para o presidente da ABC Rádio Táxi, Ademir de Oliveira Call, a categoria tem promovido encontro com integrantes das atuais administrações para debater o assunto. “Todos já estão cientes do problema. Agora é esperar que o tema seja debatido de maneira regional.”

A expectativa é a de que o assunto retorne à pauta do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC no próximo mês, quando o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), deve apresentar aos demais chefes do Executivo as reivindicações de taxistas. O objetivo é que a entidade, por meio do GT (Grupo Técnico) de Mobilidade, discuta a questão e encontre, de maneira regional, uma saída adequada para o imbróglio.

“O Uber tem uma característica de transporte de passageiro, e nós temos uma empresa pública que fiscaliza e regulamenta o transporte de passageiros (no caso de Santo André). Então, nada mais justo que também esse modelo de transporte, que é novo, passe por normas e fiscalizações”, relata Paulo Serra ao declarar que “a intenção é regulamentar” o serviço.

No entanto, enquanto a pauta ainda segue parada, motoristas dos dois serviços mostram insatisfação com a forma com que o debate tem sido conduzido.

De um lado, taxistas cadastrados junto às administrações reclamam da queda no faturamento da categoria, prejuízo este que tem oscilado negativamente em até 40% desde o ano passado. “É injusto a gente ter de arcar com diversas taxas e eles não. Isso afeta diretamente o nosso faturamento, pois temos obrigações com o município”, relata Adalberto Rocha, 54 anos.

Do outro lado da mesa, prestadores de serviço do Uber cobram medidas das prefeituras em relação ao assunto, em especial visando maior segurança aos colaboradores da empresa. “Não acho justo ter as mesmas cobranças do táxi, pois são coisas diferentes. Mas sou favorável a uma regulamentação específica, com valores acordados, para ao menos termos algo como respaldo do nosso trabalho”, afirma Kaique Villa Lobos, 26.

Na Capital, a gestão do prefeito João Doria retomou neste mês a cobrança de sobretaxa do serviço de transporte individual por aplicativo, como é o caso do Uber.

Na prática, as empresas com mais carros em circulação vão pagar mais caro. A tarifa por quilômetro rodado pode subir de R$ 0,10 para R$ 0,40. Segundo o Paço, a medida visa organizar e tornar mais justa a utilização do viário. (Colaborou Yara Ferraz)

 Diferença entre serviços cai drasticamente e chega a 4%

 Antes considerado o grande diferencial entre os dois serviços, o percentual de diferença do preço praticado entre o Uber e táxi hoje chega a ser de somente 4%.

Na tarde de ontem, o Diário percorreu o trajeto entre sua sede, na Rua Catequese, e o Estádio Bruno José Daniel, e comparou o serviço oferecido tanto por taxista quanto por motorista do Uber.

O percurso de quatro quilômetros foi o mesmo. Nos dois, a viagem demorou cerca de dez minutos. Enquanto na corrida de táxi o valor cobrado foi de R$ 14 (sendo R$ 4,50 a tarifa base), o percurso feito pelo Uber teve o preço de R$ 13,46. No ano passado, a diferença do mesmo percurso chegou a 75,12%.

Atualmente, o valor base de taxistas na região é de R$ 4,50. Já o preço do quilômetro varia de R$ 2,70 na bandeira 1 e R$ 3,20 na 2.

No Uber, o preço é calculado conforme a quilometragem e o tempo no veículo. Na categoria UberX, o preço base é de R$ 2, o quilômetro, R$ 1,40, e, por minuto R$ 0,26. No UberSelect, o preço base é R$ 3,30, o quilômetro, R$ 1,53 e, por minuto R$ 0,28.

Para prestadores dos serviços, a queda da diferença pode ser explicada por diversos fatores. “Sem a taxa de divisa consegui recuperar cerca de 30% a 40% dos clientes. Além disso, muitos preferem o táxi por não ter mudança na tarifa em dias diferentes e também pela segurança”, relata o taxista Adriano Cordeiro da Silva, 33 anos.

Motorista do Uber há quatro meses, Carlos Augusto Mendes, 52 anos, avalia ser possível lucrar com o serviço, no entanto, reclama do percentual de 25% destinado à empresa. “O valor poderia ser mais baixo. Mas ainda é possível, em dias mais movimentados, tirar cerca de R$ 150.”

FONTE: www.dgabc.com.br

Sobre Carlos Laia

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