Táxis contarão com câmera interna e monitoramento via central

Aplicativo exclusivo para taxistas promete câmeras de segurança

A câmera que registrará toda a movimentação dentro do veículo. As imagens, em formato de fotos criptografadas (sem a possibilidade de serem editadas), serão geradas e enviadas para uma central virtual de armazenamento e poderão ser usadas posteriormente, principalmente pela polícia, para identificação de criminosos.

Do dia 1º de janeiro até o dia 31 de julho deste ano, 174 taxistas já foram assaltados, 98 táxis roubados e seis táxis usados por bandidos para cometer assaltos. O número de assaltos do primeiro semestre de 2018 já é duas vezes maior do que o registrado em todo o ano de 2017, quando 87 assaltos foram sofridos por taxistas de janeiro a dezembro. Os dados são da Associação Geral do Taxistas (AGT).

O One Táxi é um aplicativo exclusivo para taxistas e vai operar em todo o país, começando por São Paulo e Salvador – na capital baiana a previsão é que o lançamento oficial aconteça na próxima segunda-feira (6). Os táxis terão adesivos nas laterais das portas e no vidro traseiro com o seguinte frase: “Para a sua segurança, sua viagem está sendo filmada!”. Embora ainda não tenha sido oficialmente lançado, o app já pode ser baixado e utilizado em Salvador.

Ao entrar no veículo, o passageiro será filmado (Foto: Evandro Veiga/ CORREIO)
“Vai dar mais segurança aos taxistas. Os bandidos agora vão pensar duas ou mais vezes antes de tentar assaltar um taxista. É forma que encontramos para minimizar essa violência que vem vitimando a categoria”, declarou Ademilton Paim, presidente da AGT, na manhã desta sexta-feira (03).

“Assim que o passageiro entrar no táxi, a câmera de um celular posicionado no painel irá registrar tudo que se passa dentro do carro e encaminha imediatamente as imagens para uma central de monitoramento, que funcionará 24horas”, contou Ademilton.

“Não adianta o bandido levar o celular ou destruir o aparelho pois as imagens são armazenadas na central por segundo desde o momento que ele entra no carro. Nem adianta ele obrigar a apagar, por que o taxista não como manusear o celular para apagar por que essa função só é disponível para pessoas específicas”, completou o presidente da AGT.

Concorrência
O principal objetivo do aplicativo é dar mais segurança ao taxista e ao passageiro, mas também é uma ferramenta usada para competir com os motoristas de aplicativo. “Vamos trabalhar com um preço mais acessível, abrindo uma concorrência com os carros particulares. Perdemos um mercado muito grande e a população está buscando um preço mais em conta, já sabendo o valor que irá pagar”, declarou o responsável pela área comercial da One Táxi José Silva Lima, 51, sem deixar claro como o aplicativo fará para ter preços mais em conta do que os motoristas de aplicativos.

A plataforma do One Táxi será nos moldes de outros aplicativos, como Uber e 99 Pop, e poderá recuperar os antigos e trazer novos clientes. O taxista terá um cadastro no App com a inscrição dele, crachá, alvará, foto. Com isso, a população vai receber a foto, a placa e ao alvará do táxi e o app vai acionar o mais próximo ao cliente. Além disso, o passageiro poderá abordar qualquer táxi na rua, como faz comumente com táxis normais, e perguntar se o motorista é cadastrado no aplicativo. Se a resposta for sim, o cliente poderá acionar a corrida por meio da placa do veículo.

Para as mulheres que desejarem ser transportadas por outras mulheres, o aplicativo dispõe de viagens exclusivas. “É uma questão de segurança. Uma opção a mais para a cliente mulher”, declarou responsável pela área comercial da One Táxi José Silva Lima, 51.

No celular, o passageiro tem a opção para um táxi adaptado para cadeirante, tem também promessa de que haja carros para transportar cachorros. “Tem carros pequenos não comportam cadeira de rodas ou com a mala ocupada com cilindro de gás. Então, o passageiro poderá contar com mais essa opção”, explicou José.
Ainda pelo APP é possível escolher um taxista da sua confiança. “Basta o passageiro usar no aplicativo a placa do carro que o taxista é acionado para o local desejar”, comentou José.

Até o 03 deste mês, 400 taxistas já aderiram ao app, mas a previsão de até dezembro sejam 2.500 taxistas. “O taxista só irá pagar uma taxa de 10% se fizer a corrida”, disse o responsável pela área comercial da One Táxi. O APP vai funcionar com pagamento em dinheiro e cartões de débito e crédito. Conforme os organizadores do aplicativo, apenas motoristas credenciados pela prefeitura estão aptos a rodar na plataforma.

Em contato com o CORREIO, o secretário de Mobilidade Fábio Mota disse que tem conhecimento do aplicativo e que uma portaria foi publicada para possibilitar a legalidade do One Táxi.

Violência
Um mês atrás, Adilson Marques, 43 anos, aguardava em seu táxi, na fila do ferry-boat de Salvador, quando dois homens entraram no carro e pediram para levá-los até a Rua 20 de Agosto, em Pau Miúdo. “Quando chegamos lá, um deles me ameaçou com uma arma. Queriam levar o carro, mas desistiram e acabei dando só o celular e dinheiro”, relata.

Adilson levou o caso a uma delegacia, mas não foi possível identificar os assaltantes para recuperar os itens roubados. “Se a câmera de um dos estabelecimentos aqui perto tivesse capturado o rosto dos dois homens, poderia ter tido sucesso em identificá-los”, lamentou o taxista, que apoia a instalação de câmeras nos táxis para maior segurança do motorista.

Roque Rodrigues de Carvalho é taxista há 37 anos e já foi assaltado cinco vezes enquanto trabalhava. Ele acredita que a instalação de câmeras nos táxis ajudaria a reduzir o número de crimes cometidos. “Acho a câmera uma boa ideia, porque, como o rosto fica registrado, é mais fácil identificar a pessoa depois. Quando estabelecimentos com câmera são assaltados, os ladrões geralmente são identificados”, contou.

Roque Rodrigues de Carvalho é taxista há 37 anos e já foi assaltado cinco vezes (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

O taxista Jânio Gonçalves, 37, nunca foi assaltado, mas roda pela cidade com medo. “Já desconfiei de assalto muitas vezes. Não é uma questão de aparência, mas de intuição, talvez por já andar com medo”, explicou. Por não ter como identificar criminosos de vista, Jânio presta atenção no comportamento do passageiro e, se desconfia de algum perigo, encerra a corrida. “Fico desconfiado quando digo que o valor da corrida vai ser muito alto e o passageiro não reclama. Com a situação financeira atual, a gente desconfia quando avisa que vai dar R$ 30, por exemplo, e a pessoa oferece pagar R$ 40”, afirma.

Apesar de nunca ter sido vítima de assalto, Giovani Dias Bonfim, 51, também não consegue trabalhar com tranquilidade. “Gosto de pensar que quem vê cara não vê coração, mas hoje em dia todo mundo é suspeito até que se prove o contrário”, contou.

* Colaborou Tailane Muniz e Beatriz Sampaio, com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock Detectado

Considere nos apoiar desabilitando o bloqueador de anúncios