Enquanto no Brasil o legislativo tenta regulamentar os aplicativos, principalmente o Uber, de forma a permitir que continuem burlando a legislação, na Grâ-Bretanha empresa terá que pagar “um piso salarial de 7,50 libras por hora, além de férias remuneradas e deve considerar seus motoristas empregados, com direito a férias e um piso salarial”.

Mais que decepcionar os taxistas, os senadores deu uma prova que o loby milionário da Uber, 99 e Cabify foi o pêndulo da balança, basta ler as matérias publicadas pela grande imprensa sobre a visita do CEO mundial da Uber à Brasília no dia da votação, onde se encontrou com Senadores e o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, para não deixar dúvida.

Só a presença do CEO mundial da Uber, já seria o suficiente para influenciar a votação, no momento que ele se reuni com uma figura emblemática do momento político que o país atravessa não poderia acontecer outro resultado se não a descaracterização completa do PL 28/2017.

O site Outras Palavras assim descreve  como a presença de Dara Khosrowshahi, no dia da votação no Senado influenciou o resultado. “As previsões sobre o resultado da votação eram amplamente favoráveis à aprovação do projeto. Eis que o presidente-executivo do Uber, Dara Khosrowshahi, em pessoa, veio dos EUA para o Brasil, sendo recebido por senadores e até pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Resultado? O projeto foi descaracterizado por emendas que visam deixar o Uber e os demais aplicativos operando acima das leis vigentes”.

A matéria do Outras palavras faz uma análise profunda sobre a uberização de outras profissões que estão por vir, o CRECI, Conselho Regional de Corretores de Imóveis deu início a uma campanha na televisão onde diz que “o corretor de imóveis é insubstituível”, uma mostra de que os aplicativos de aluguel e venda de imóveis já preocupa a categoria. O Saite faz a seguinte colocação, mostrando a hipocrisia da população e do jogo de interesse de quem deveria regulamentar e regular os aplicativos.

“Ainda vamos pagar caro pela fetichização que a maior parte das pessoas têm pelo Uber. Enquanto ele serve para satisfazer o desejo de parte da população em andar de carro (e se endividar no cartão de crédito), tudo parece lindo. Quando a “plataforma” for aplicada nas demais profissões, muitos vão hipocritamente se perguntar como isso aconteceu”. Outras Palavras

A votação no Senado desfavorável ao taxistas, a regulamentação em São Paulo sem nenhuma imposição a Uber, 99 e Cabify e a aprovação traidora dos sindicatos, Cooperativas e associações de taxis da maior capital do país, mercado indispensável para os aplicativos consolidarem-se nas demais capitais e importantes cidades deveria suscitar um  movimento jamais visto de taxistas ao longo de quase um século da sua existência, ao invés disso, ficam degradiando se em grupos de Whatsaap.

A verdade que os taxistas só conseguiram mudar indo para às ruas:

“O governo brasileiro e o grande capital tentam vender o Uber como saída para o desemprego que atinge cerca de 14 milhões de brasileiros. O discurso do Uber para seus “parceiros” (como chama os motoristas, para não denotar vínculo empregatício) é o mesmo que os governos neoliberais usam para a população em geral: “se houver qualquer regulamentação o aplicativo ficará inviável”!

Se analisarmos do ponto de vista de um taxista engajado, a conclusão será que o trabalho das “lideranças” em Brasília foi bem feito e que a derrota, que alguns dizem ser uma vitória, foi devido ao imprevisível mundo da política brasileira, mas tenho um filing de que não foi somente isso. C como devemos ver a falta de uma avaliação em conjunto com a categoria sobre os acontecimentos em Brasília e o silêncio rotineiro a respeito dos acontecimentos importantes?

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A visita do CEO da Uber à Brasília, o seu encontro com Senadores e a misteriosa mala de dinheiro apreendida com um taxista vindo de Brasília após audiência pública na comissão do Senado, pego na pela Polícia Rodoviária da Bahia, tendo na mala R$ 700,000,00 (setecento e cinquenta mil reais) fala muito.

“Por meio do ticket anexado à bagagem foi possível identificar o proprietário dentro do ônibus. Questionado pela polícia a respeito da origem do dinheiro, o homem de 47 anos disse que pegou a quantia em São Paulo e estava levando para o Recife. No entanto, não revelou se é o dono do dinheiro ou se estaria transportando a mando de alguém. O dinheiro ficou apreendido e o homem foi encaminhado para a Polícia Federal em Vitória da Conquista.

“Aos agentes, o homem contou apenas que atua como taxista no Recife, e havia saído de sua cidade para participar de um evento em Brasília. De lá, foi de avião até São Paulo, se hospedou em um hotel, onde pegou a quantia para levar de ônibus até o Recife”. G1 Bahia

“O Uber é o suprassumo dos desejos dos empresários, por estabelecer uma clara relação de trabalho sem proteção laboral”

Também é de se notar que ninguém fala mais do dinheiro e muito menos procuraram saber quem é o dono e de onde veio. Outra situação que devemos questionar é o fato das “lideranças”,  após a votação no senado não ter ido ao encontro dos cerca de quatro mil taxistas que aguardaram sob sol quente a votação desde as primeiras horas do dia, isso não foi só um desrespeito.

E como sempre os taxistas preferem as futilidades, as lamentações nas redes sociais do que discutir uma iniciativa para dar início a virada do jogo.

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Fontes:

Outras Palavras

Roberto Santana Santos é Historiador e secretário-executivo da REGGEN-UNESCO. Doutorando em Políticas Públicas pela UERJ.

João Claudio Platenik Pitillo é Historiador e pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas da UERJ. Doutorando em História Social pela UNIRIO.

1A prefeitura de Ribeirão Preto/SP do PSDB tentou fazer um “Uber” para professores recentemente. Após críticas o projeto está paralisado, por enquanto. https://www.cartacapital.com.br/sociedade/professor-uber-a-precarizacao-do-trabalho-invade-as-salas-de-aula

2https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/11/01/a-questao-principal-nao-e-uber-vs-taxis-mas-uber-vs-trabalhadores/